4 de mar. de 2011

Sergio Niculitcheff



Penso na morte
mas sei que continuarei vivo no epicentro das flores
no abdômen ensangüentado doutros-corpos-meus
na concha húmida de tua boca em cima dos números mágicos
anunciando o ciclo das águas e o estado do tempo
A memória dos dias resiste no olhar dum retrato
continuo só
e sinto o peso do sorriso que não me cabe no rosto
improviso um vôo de alma sem rumo mas nada me consola
É imprevista a meteorologia das paixões
pássaros minerais afastam-se suspensos
vislumbro um corpo de chuva cintilando na areia
80Até que tudo se perde na sombra da noite... além
junto à salgada pele de longínquos ventos

AL BERTO